MPGO denuncia pai por estupro da própria filha e a mãe por omissão, em Rio Verde

MPGO denuncia pai por estupro da própria filha e a mãe por omissão, em Rio Verde

O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou um homem e uma mulher por crimes cometidos contra a própria filha, em Rio Verde. Segundo a denúncia, o pai praticou abusos sexuais contra a vítima desde que ela tinha 7 anos de idade, enquanto a mãe, mesmo tendo conhecimento dos fatos, teria se omitido na proteção da filha. A denúncia, oferecida pelo promotor de Justiça Marcelo Henrique Rigueti Raffa, já foi recebida pela Justiça.

Conforme apurado, os abusos praticados pelo pai começaram em 2014 e se estenderam por anos. Inicialmente, ele teria praticado atos libidinosos contra a filha e, posteriormente, mantido relações sexuais com ela. A vítima engravidou aos 14 anos e exame de DNA confirmou que o denunciado era o pai da criança.

De acordo com a apuração, o homem se aproveitava da autoridade exercida sobre a filha e utilizava manipulação, ameaças, chantagens e controle sobre sua rotina para submetê-la aos abusos. As investigações também identificaram mensagens que, segundo o MPGO, demonstram a tentativa de estabelecer com a vítima uma relação de natureza amorosa, além de comportamentos de ciúme e controle.

A denúncia aponta ainda que o pai mantinha contato com a filha para exigir atos de natureza sexual e fazia uso de ameaças para impedir que os fatos fossem revelados. Mesmo após a vítima atingir a maioridade, conforme o Ministério Público, o comportamento abusivo teria continuado.

Mãe teria tomado conhecimento dos abusos e permanecido omissa

Segundo a denúncia, a mãe tomou conhecimento dos abusos durante a gravidez da filha e, ainda assim, não adotou medidas para interromper a violência. Em determinada ocasião, a vítima teria contado à mãe o que ocorria, mas o pai a agrediu e a ameaçou para que permanecesse em silêncio.

As investigações apontaram também que a mulher já havia percebido comportamentos inadequados na relação entre o marido e a filha e teria sido alertada por amigas sobre a possibilidade de abuso. Mesmo diante desses elementos e da confirmação de que a gravidez da adolescente decorrera da relação com o próprio pai, ela teria deixado de agir para proteger a filha.

A apuração foi retomada após uma nova denúncia anônima recebida pelo Ministério Público em agosto de 2026. Os novos elementos indicaram que os abusos não teriam se limitado ao episódio inicialmente investigado. Com a prisão dos investigados, foram realizadas buscas e apreensões que reuniram outros elementos de prova.

Ainda segundo o MPGO, a vítima apresentou sinais de sofrimento emocional relacionado aos fatos. O conjunto probatório inclui declarações da jovem, mensagens trocadas com o pai, documentos e outros elementos reunidos durante a investigação.

O homem foi denunciado pelos crimes de estupro de vulnerável, estupro, violência psicológica, entre outros delitos previstos no Código Penal, com incidência da legislação de proteção à mulher e à criança e ao adolescente. A mulher responde por sua omissão diante dos crimes praticados contra a filha. (Texto: Renan Castro/Residente da Assessoria de Comunicação Social do MPGO)

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